ROGÉRIO RIBEIRO

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Salários, produtividade e proteção social

Da Redação

| Edição de 10 de março de 2026 | Atualizado em 10 de março de 2026

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Quando mencionei recentemente que o setor de confecções de Apucarana foi o que mais contratou no Paraná em 2025 dentro do segmento, mas ao mesmo tempo apresentou um dos menores salários médios de admissão, algumas pessoas logo perguntaram: afinal, qual é o salário médio de contratação no município?

Segundo o CAGED, o salário médio de contratação em Apucarana em 2025 foi de R$ 2.110,19, muito próximo do valor registrado no setor de confecções (R$ 2.109,60). Esses dados refletem o que está registrado no mercado formal. Embora alguns trabalhadores recebam valores adicionais como comissões ou bônus, também existe a realidade de remunerações que não são integralmente registradas na carteira, o que levanta uma reflexão importante sobre transparência e acesso pleno aos direitos e à proteção social.

O salário registrado define os direitos fundamentais do trabalhador. A contribuição previdenciária, o valor da aposentadoria futura, o cálculo de benefícios como auxílio-doença, seguro-desemprego e até o FGTS dependem diretamente do que está formalmente registrado. Quando existe uma diferença entre o que o trabalhador recebe e o que está oficialmente declarado, cria-se um problema que só aparece muitos anos depois.

Imagine um trabalhador que, ao longo da vida, recebe o equivalente a dois salários mínimos mensais, mas tem apenas um salário mínimo registrado. Durante a vida ativa, talvez essa diferença pareça administrável. Porém, quando chegar o momento da aposentadoria, o benefício será calculado sobre o valor registrado.

Esse é um tema sensível e que precisa ser tratado com equilíbrio. Muitos empresários argumentam, com razão, que os custos trabalhistas e tributários no Brasil são elevados e pressionam a competitividade das empresas. Mas também é verdade que existem empresas que conseguem operar no mesmo mercado registrando integralmente a remuneração de seus trabalhadores e ainda assim permanecem competitivas. Isso indica que a discussão não deve se limitar apenas ao custo do trabalho, mas também às estratégias empresariais.

A experiência de diversos setores mostra que empresas que investem em tecnologia, qualificação profissional e boas práticas de gestão conseguem produzir mais e melhor. Quando a produtividade aumenta, torna-se possível pagar melhores salários sem comprometer a competitividade. Nesse ambiente, trabalhadores mais valorizados tendem a se engajar mais, elevar a qualidade do trabalho e contribuir para o desempenho coletivo da empresa.

Por isso, a discussão sobre salários não pode ser reduzida a um conflito entre trabalhadores e empregadores. Trata-se de reconhecer uma interdependência objetiva. Empresas precisam faturar e lucrar para investir e crescer. Trabalhadores precisam de renda adequada e proteção social para viver com dignidade e segurança ao longo da vida.

Quando essas duas dimensões caminham juntas, forma-se um círculo virtuoso: trabalhadores com renda mais estável consomem mais, fortalecem o comércio e os serviços, e alimentam o dinamismo da economia local. Ao mesmo tempo, empresas com equipes qualificadas e engajadas aumentam sua produtividade e ampliam suas oportunidades de crescimento. O desafio, portanto, não é escolher entre salários e competitividade. O verdadeiro desafio é construir um ambiente econômico em que produtividade, remuneração justa e proteção social caminhem na mesma direção.