Por dia, ao menos uma pessoa é diagnosticada com sífilis na região. Levantamento da 16ª Regional de Saúde (16ª RS), feito a pedido da Tribuna, revela 318 casos confirmados entre janeiro e julho deste ano nos 17 municípios de sua área de abrangência. O volume de diagnósticos se mantém alto e continua no mesmo patamar do ano anterior que teve 326 pessoas infectadas, no mesmo período. Na opinião de uma especialista, a doença é considerada um grave problema de saúde pública nacional e mundial.
A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) provocada pela bactéria Treponema pallidum. A transmissão ocorre por relação sexual desprotegida ou de mãe para filho na gestação. A doença tem cura por meio de tratamento com o uso de antibióticos, principalmente a penicilina.
Segundo a 16ª RS, 66 gestantes foram diagnosticadas com a doença neste ano, o que representa 20% do total de casos. O número, entretanto, corresponde a uma queda de 29,3% em relação ao ano passado, quando a saúde identificou 92 mulheres grávidas infectadas.
Quando não tratada, a sífilis pode ser transmitida da mulher para o feto durante a gestação ou no parto, causando a chamada sífilis congênita. Sem tratamento, pode causar aborto, parto prematuro, morte do recém-nascido e sequelas graves, como cegueira, surdez e deficiência intelectual.
Na região, 8 bebês foram diagnosticados com a doença neste ano, uma queda de 52,9% em comparação ao ano passado, quando houve 17 casos confirmados. Em contrapartida, os dados da população geral mostram um aumento de 12% nos casos de sífilis, que passaram de 217 para 244.
APUCARANA
Entre os municípios da regional, Apucarana é o que concentra o maior número de casos, com 166 confirmações, sendo 27 em gestantes, duas de sífilis congênita e 137 no público geral. “A sífilis é considerada um grave problema de saúde pública nacional e mundial. É uma epidemia muito alta, isso porque muita gente não faz o teste. Com certeza, o número é muito maior”, afirma a coordenadora do Núcleo de Aconselhamento, Testagem e Tratamento de Apucarana (Natta), enfermeira Valentina de Campos Leal.
Valentina explica que a sífilis é uma IST que, na maioria das vezes, não apresenta sintomas, ou apresenta uma lesão que desaparece em uma semana. “As pessoas acabam não procurando por assistência à saúde, já que as lesões somem”, comenta.
USO DE PRESERVATIVO É A PRINCIPAL FORMA DE PREVENÇÃO
A sífilis pode se manifestar desde formas assintomáticas ou com lesões no local onde a bactéria entrou no corpo, como a região íntima, colo do útero ou boca. A ferida geralmente não dói, não coça e não tem pus.
A principal forma de prevenção ainda é o uso do preservativo.
“A sífilis tem 100% de cura com tratamento adequado, porém o paciente pode ser infectado novamente se for exposto à bactéria”, alerta enfermeira Valentina de Campos Leal, coordenadora do Natta.
Ela ressalta que o município realiza campanhas de conscientização e oferta assistência médica com teste rápido gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“Não só o Natta, mas a atenção básica como um todo oferecem testes rápidos em todas as Unidades Básicas de Saúde da cidade. Fazemos testes como protocolo em todas as gestantes nos três trimestres de gestação. Além das campanhas de saúde da mulher e da saúde do homem, em todas as atividades em UBSs nas quais são oferecidos esses testes também”, assinala.